Aside

Lembro de ter pegado Cem anos de solidão na prateleira da biblioteca por tê-lo visto numa lista dos 10 mais da veja. Foi no começo da de 00, não lembro bem o ano. Talvez 2002, 2003. Lembro de ter começado a ler o livro mesmo sabendo que não deveria por causa da quantidade de coisas que deveria estudar para o PAS. Lembro de começar a ler, de achar lindo, de ficar pasma em como o Gabriel García Márquez escrevia manipulando tempo e espaço e ainda assim eu não me perdia. Dos diversos personagens com o mesmo nome mas com personalidades tão diferentes, ou parecidas, mas cada um sendo cada um e eu sendo capaz de não confundi-los. Lembro de ler em êxtase a cada página. De ficar feliz por chegar ao fim e triste. De ter visto Macondo. De ter conhecido cada um dos Buendía. Lembro de ter amado Gabriel García Márquez por causa de Cem anos de solidão. De ter ficado feliz por fazer faculdade de Letras Espanhol e poder reler Cem anos em espanhol. Lembro também de ter lido os outros livros. O amor nos tempos do cólera, Vivir para contarla, os contos, Cómo se cuenta un cuento. Lembro de ter identificado Gabo em cada um deles. De ficar sonhando que um dia eu o conheceria, antes que ele se fosse, que eu pudesse abraçá-lo e agradecer por seus livros. Por ter criado um mundo no qual eu me sentia bem. Por ter criado pessoas com as quais eu me identificava. Por ter sido tão maravilhoso. E hoje, hoje eu choro. Choro por não tê-lo conhecido, por saber que ele não criará nada novo, por saber que ele não existe mais. Existia um calorzinho no meu coração por saber que ele existia em algum lugar do mundo, ainda que fosse longe de mim, ainda que eu não soubesse como e não acompanhasse. Esse calorzinho se foi. Agora fica um vazio. Uma pontada. Uma dor. Uma dor que nunca imaginei sentir.

E nada do que está escrito aqui faz muito sentido pq nunca soube escrever chorando. Mas precisava tentar. Precisava desabafar. Precisava chorar por escrito pra ver se consigo parar de chorar.

Se Deus existe, se céu existe, espero que o Gabo esteja agora em paz, feliz. E espero que a família dele e os amigos possam ser confortados. 

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“Ao gozar um mês de bom tempo à beira-mar, conheci uma criatura
fascinante: uma verdadeira deusa para os meus olhos, enquanto não reparou em mim. Nunca lhe confessei verbalmente o meu amor; mas, se é certo que os olhares falam, o mais completo idiota teria percebido que eu estava apaixonado. Por fim, ela o entendeu e lançou-me também um olhar — o mais doce dos olhares. E que foi que eu fiz? Confesso-o, envergonhado — recolhi-me a mim mesmo, qual um caramujo; a cada olhar dela, mais eu me encolhia, maior frieza aparentava; até que, finalmente, a pobre começou a duvidar dos seus próprios sentidos e, cheia de confusão pelo suposto engano, convenceu a mãe de que deviam partir. Graças a essa estranha mudança de atitude, ganhei a reputação de ser uma pessoa desumana; quão pouco a mereço, só eu o sei.”

Primeiro capítulo e já me identificando. Vai ser divertido ler wuthering heights.

GPOY

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A entrevista toda do Santiago é deliciosa, não quis ler muito a review do livro pq não gosto de spoilers, mas a entrevista eu li. Amei a parte que ele fala de literatura, e justifica muito o fato de eu ser tão fã. Ele sabe o que é literatura, sabe quando está fazendo literatura e quando não. Mas olha, a cereja do Bolo é essa última pergunta:

A arte que você consome é “estranha” da mesma forma da que escreve?
Claro. Porra. Dos meus autores vivos favoritos é o Dennis Cooper. Minha banda favorita é Suede, estou cagando pra Beatles. Prefiro Eduardo Dussek a Chico Buarque. Nunca fui de unanimidades. Não é uma escolha suave. Mas estou vivendo e viajando o mundo com isso. Então não posso dizer que deu errado.

Troca Suede por Belle and Sebastian, deixa Dussek e deixa Chico tb. Voilà: eu. E é sério.

Tumblr, twitter, blog, tudamermacoisa

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Tem coisas que acho que ficariam melhor no tumblr, outras no twitter, outras no blog. O problema é que nem sempre dá pra usar a mídia adequada, pq? Pq as pessoas acham pertinente bloquear as coisas no trabalho… Assim, eu uso oq dá. O que vou por aqui caberia mais no twitter, mas como meus posts vão todos pro twitter mesmo, dá igual! Assim:

70 Suellen M. M. Alexandre Pilati Hist Lit em Região Periférica DEFERIDO

Se vc não sabe oq significa, é que não faz mais parte da minha vida como costumava fazer. E se sabe, fique feliz comigo pq tô pulando de alegria!

=D Me abraça???

Motivos para amar:

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Amo muitas coisas, e amo com uma intensidade doentia, mas tem sempre um motivo, uma identificação. E é nessa leva que entra Santiago Nazarian eu poderia fazer um post sério visto que ele é mei que o tema da minha monografia e do meu projeto de mestrado, mas não sou dada a posts sérios, logo vamos a minha futilidade usual. Tava lendo uma entrevista no blog, e cara, como rola identificação. Tem essas partes que eu gostei mais:

“- Quais são os mandamentos para a manutenção de sua originalidade? Há
um vampirismo (assumido) em relação ao que você consome do caldo pop?
Você se alimenta de que?

Esse vampirismo é o mesmo que qualquer artista tem; qualquer artista se alimenta de influências externas, do caldo pop ou da alta cultura, processando da sua maneira. Talvez a minha busca pela originalidade se fundamente mais pela busca de um repertório diferenciado. Eu sou aquele cara meio babaca que acha que se todo mundo gosta de um livro, de uma banda, de um filme, ele não pode ser bom. Eu busco referências diferenciadas conscientemente. Jamais teria Beatles como minha banda favorita, sabe? Jamais teria Machado de Assis… Acho que isso já dá uma diferenciação, mas é claro que dá trabalho. É difícil encontrar obras com densidade que já não façam parte do panteão.”

Como me identifico com isso, com essa busca pelo original, e com o admitir dessa característica. Gente, não é atoa que sou tão fã de Belle and Sebastian e que goste tanto de umas coisas que ninguém nunca ouviu falar, é parte de quem eu sou. É tão mais legal (e sei que pode parecer discurso de hipster babaca) gostar de uma coisa e ver que ninguém ainda conhece, que é só seu…

“- Já foi dito que “ódio e rancor” transparecem nos teus escritos.
Você concorda?

Sim. E não consigo identificar exatamente as raízes disso. Sou uma pessoa rancorosa… Haha. É feio dizer isso, mas é verdade. Eu guardo mágoa, corto amizades, se alguém pisa na bola comigo, é muito difícil desculpar. E na literatura, não escrevo sobre o amor. O amor não é algo que me interessa literariamente. Eu trabalho no lado negro da força, não é? Mas vejo isso de forma positiva, acho que isso é necessário. Acho que é importante que se trabalhe esses sentimentos negativos não sociedade. Expor perversões, fraquezas, uma forma de expurgá-las, revelá-las. A hipocrisia me incomoda deveras. Detesto gente que é só amor, felicidade, e não tem sentimentos mesquinhos. Acho isso falso.”

Mais uma parte pra destacar e assinar embaixo. Esse miguxismo de amar demais de ser sempre bom é falso, ninguém é assim, gosto mesmo é de uma coisa errada, meio deturpada, dessa coisa doentia, do lado negro na força, esse sim é um lado divertido. Essa coisa de céu com anjinhos gorduchos e bonzinhos é a coisa mais boring do mundo. E admitir a imperfeição é a maior qualidade do ser humano, só gente babaca que fica por ai fingindo ser quem não é, se encaixar num padrão sem graça.
Bom, e além de isso tudo, escreve bem pra caráleo e é lindo. Sério, tem como não amar o Santiago??

Santiago lindo Nazarian

O original é sempre melhor!

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Daí que você descobre que nego se deu mal e ri, descobre que o ser humano em questão (se é que dá pra se referir assim…) não conseguiu o que tanto queria e você ri, fica feliz. Por um segundo até pensa que rir da desgraça alheia é maldade, mas depois de tanta coisa que o ser te fez passar, depois de tanto ódio, você nem acha que é tão ruim assim rir da desgraça dele. Ai você finalmente descobre que a existência do ser ainda atrapalha sua vida e diminui o riso, é queridón, parei de rir da tua cara por um breve segundo, mas ah, f@#$-se, vc é loser mesmo, se deu mal dessa vez e se dará numa próxima, e volto a rir! E já voltei, afinal, foi me invejar e se deu mal, duas vezes! Da próxima vez pede pra Deus uma personalidade e para de tentar roubar a dos outros, afinal vc não tem cacife pra me imitar!

Eça de Queirós

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Tenho q ler 2 livros dele (O Crime do Padre Amaro e O Primo Basílio) pra disciplina q tô fazendo: Realismo Português, da qual vou falar muito, muito mal em breve, espera só pra ver, mas assim, tô gostando e tal, até pq gosto de literatura, só esse semestre peguei 4!! O que pega é que o livro q tô lendo é super novinho, limpinho, nem tem poeira, mentira e tô começando a achar q a mensagem do Eça nem era q a sociedade e a igreja estavam falidas, e sim q os homens não prestam, sério, todos são uns boçais de merda, e o pior é que continua igual…..