And even if somebody else has it much worse, that doesn’t really change the fact that you have what you have.

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*SPOILER ALERT*

Vi The perks of being an walflower porque tinha a Emma Watson no elenco. Parece idiota mas sabe? Cresci com harry potter. Gostei muito do filme. Assim, existem filmes e filmes. Filmes que a gente gosta por serem bons como Dogville, filmes que a gente gosta por serem divertidos como White chicks, filmes que a gente gosta pela maravilhosidade e fofurice como todos do Wes Anderson, e filmes que a gente sente alguma coisa quando vê, como The perks. Gostei da história apesar de me sentir perturbada na maior parte dele. Quis ler o livro. Não li de imediato pq achei caro. Assim, já dei milhões em livros, mas não gosto de gastar com livros que não acho que vou amar pra sempre, esse é mais o tipo de livro que leio pela história, e livros assim eu pego em bibliotecas ou emprestado. Um dia em aula citei o título em espanhol pra explicar como era marginal em espanhol, e que no caso do filme o termo era usado no sentido de à margem. Um aluno me perguntou se eu tinha lido o livro, disse que não, ele disse que tinha e eu peguei emprestado. Ele me emprestou este sábado. Terminei hoje. Impressionante como a gente lê livro ruim em uma sentada! hahaha Mas enfim, analisemos de verdade. Não, não é ruim. Mas é ruim. Pensando em literatura, em Machado, em Saramago, em Fitzgerald, sim, é ruim. E não é por ser a voz de um menino de 15/16 anos, é pq ainda que o fosse, um bom autor escreveria diferente. Mas não sei a que ponto isso é culpa da tradução, talvez devesse tê-lo lido em inglês. Lembro de um poema da Sylvia Plath que li a tradução e em inglês e de como odiei a tradução. Mas traduzir poesia é mil vezes mais difícil pq não basta traduzir o texto, tem que fazê-lo caber na estrutura de um poema. Por isso acho que os tradutores de prosa de hoje em dia têm feito um trabalho ruim. Esse livro mesmo tenta ser jovial mas acaba parecendo ridículo. Sabe quando o Silvio Santos usa gírias idosas? E eu sei que a ideia é se passar em 1991/1992 mas ainda assim, não são só as gírias idosas que demonstram como alguém é jovem. E nem as ideias mais bobas. Acho que o autor subestima os adolescentes. Como aquela personagem ridícula da Heloísa Perissé que reduz os adolescentes as adolescentes à pessoas que vestem rosa e chamam suas amigas por apelidos. É como se ao tentar re-fazer The catcher in the rye ele fizesse aquilo. Pq em catcher a gente também tem um adolescente com problemas de pertencimento, e que reflete sobre as coisas, e que é só um adolescente com uma espécie de depressão, e ao tentar refazer essa história o Stephen acaba tendo que pesar a mão, pq tudo de ruim acontece com Charlie, tem o amigo suicida, a tia que abusou dele, a irmã que apanha do namorado e aborta, o amigo gay, enfim, como explicações para a depressão dele, e o que o Salinger me fez ver (se me lembro bem) é que esse sentimento de não pertencimento, de outsider nem sempre precisa de um motivo, apesar de ter um motivo, não é que o motivo seja a causa final, é mais como um gatilho. Voltando a jovialidade, ao ler lembrei de Minha vida de menina que li faz muito tempo, mas recomendo. É uma menina que escreve em um diário no século XIX no Brasil, há controvérsias sobre a autoria. Alguns acreditam ter sido escrito de fato por uma menina quando jovem, outros acreditam ter sido escrito por um adulto, só sei que mostra que não é preciso ser tão bobo como às vezes o Charlie soa. Apesar disso, uma história muito boa, muito perturbadora, mas muito boa. Em determinado ponto senti como se estivesse lendo algo escrito pelo Seymour Glass, pq senti o Charlie como senti o Seymour, alguém perturbado, danificado, messed up. E isso foi bom. Os outros personagens são bons também, e ler livros assim, me deixa mal por um tempo, mas me deixa bem, me faz ver que no fundo todo mundo tem uma história complicada por trás de si, e isso me faz me sentir bem comigo mesma. É como se eu fosse parte, e não mais uma louca. E além disso, Charlie é meio bobão, mas tem umas sacadas ótimas, como o título desse post. Vale como entretenimento, vale pela história, e vou até pensar em ler em inglês no futuro.

PS: e vale também pela ~trilha sonora~ muita música boa é citada ao longo do livro, e também muito livro bom como meu amado Gatsby, aliás, esse é o ponto forte do livro, as influências do autor e do personagem principal. Gente de muito bom gosto.

Para ler ouvindo:

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