Missing

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às vezes sinto falta da fase prosa poética hermética em que eu escrevia umas coisas tão nonsense que ninguém sabia do que se tratava e mesmo eu, lendo hoje, mal sei do que se trata… mas essa fase deu lugar a fase da explicação, do ponto por ponto, da necessidade doentia de provar meu ponto de vista, como se alguém realmente estivesse interessado… e aí cheguei a fase atual. a fase do basta eu saber, até pq sou da escola house de lógica e se acredito que todo mundo mente mesmo, adianta noq eu perguntar e ouvir explicações sendo que no fim nem vou acreditar? acredito no que acredito. e sei que isso é ruim, mas acho que é menos doloroso, e tenho optado pelo menos doloroso. quando olho pra trás e vejo cada um dos momentos em que chorei, quando vejo a dor que senti, decido que não quero mais, sofrer dói. não que seja opcional, não é, às vezes algo acontece e eu não posso fazer nada, ligo o som na música mais triste que conheço (bon iver, fleet foxes, rufus wainwright, ou mesmo belle and sebastian) e choro, choro como se não houvesse amanhã com a cabeça recostada no travesseiro. mas o problema é que nunca consigo chorar o suficiente, chorar até a dor sair, pq meu inconsciente me faz parar, aí paro pra ver a novela, paro pq chorar no ônibus só é legal em filme indie europeu, na vida real não é. e aí eu não desabafo. nem escrever direito eu consigo, por mais cadernos que tenha, por mais blogs que tenha, nunca consigo dizer com todas as letras o que dói, ainda que saiba, mas admito que às vezes não sei precisar, sei o que desencadeou, mas não sei precisar… ou sei mas não quero falar, não quero me explicar, pq cansa explicar, ai me pego pensando na Sylvia Plath e em como ela reagiria a repercussão de Ariel, e imagino ela lá, toda blasé falando pro mundo: ok, vcs querem reduzir minha dor ao Ted, beleza, pq a vida é isso mesmo, a gente só sofre por um babaca por quem fomos apaixonados e nada mais, beleza, sigam ai com suas interpretações fodásticas, e essa postura é a que tenho assumido. prefiro não falar, prefiro que as pessoas acreditem no que elas quiserem, como eu acredito no que quero, é tão mais fácil, tão menos dolorido, ou mais dolorido, só que confortável. na verdade nem sei oq é, mas me cansam discussões, e sei que uma hora acaba mesmo, uma hora passa. como hoje no ônibus, chorei ouvindo rufus e repeti mentalmente: – vai passar, vai passar, e as lágrimas secaram, e não passou, mas vai passar, já passou outras vezes…

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