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Acidentalmente estava ouvindo Faroeste Caboclo, digo acidentalmente porque Legião não faz parte das minhas músicas preferidas, nunca baixei, nunca comprei um cd, mas conheço, sei que existe, já ouvi muito. É impossível nascer em Brasília, gostar de rock e nunca ouvir Legião, é base. É como esse povo do Rio que ouve samba. Pode não ser o que você mais gosta, mas é impossível fugir. E olha, nunca fui fã de Legião, mas já gostei, até mais que hoje em dia. Voltando a Faroeste, é uma daquelas coisas que formou meu caráter. Gosto de usar essa frase “formou meu caráter” pra coisas ruins e damage pq adoro ressaltar que não sou paunocu e perfeitinha, por isso já devo ter dito que Silvio Santos e SBT formaram meu caráter, por exemplo. Mas nem só de coisa deturpada vive a vida, e eu sou assim também. Daí que sim, Faroeste mei que formou meu caráter. Hoje ouvindo lembrei que eu era nova, bem nova e ouvia a música pensando: – Meu Deus! Tem gente que realmente passa por isso, tem um monte de merda acontecendo no mundo e a ‘política’ parece que é cega, faz nada, pelo menos nada relevante. E sim, eu pensava isso, me revoltava, era bem mais paunocu que hoje em dia. Hoje aprendi a relativizar, a ver que o pior de mim faz de mim uma pessoa melhor, e a ver que nem tudo é tão preto e branco, há cinzas, e como há! Bom, o fato é que eu estava lá ouvindo a música, viajando na letra, quando me dei conta de que: vai virar filme. Primeiro pensei que: certeza que vou chorar. Certeza que vou estar lá, sentadinha, e que quando João do Santo Cristo morrer vou chorar copiosamente. Aí pensei que existe outra opção: podem cagar com o filme. Há essa possibilidade, nego pode pegar uma história foda e cagar de duas formas: transformando em novelinha/comédia romântica ou transformando em filmezinho pseudo-intelectual. Novelinha/comédia romântica pode virar se mexerem muito na história, se ficarem presos demais ao romance João/Maria Lúcia. E filmezinho pseudo-intelectual são aqueles que abusam de palavrões e mulher pelada pra dizer: sou foda/sou livre. Que nem fizeram com o livro da Clarah Averbuck. Quem leu Máquina de Pinball como eu foi ver o filme com uma intenção, se deparou com aquele filme morto, sem nexo, chato e com excesso de cena de sexo dispensável.
Só espero que não façam isso com Faroeste.

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